Retratografia | Into the Woods

De volta - ao blog e ao Retratografia. Bem sei que tenho estado ausente, mas nunca parada: tenho posto mãos à obra em mim, noutros interesses e, claro, também na máquina fotográfica. E, modéstia à parte, estou mesmo orgulhosa do que vos mostro hoje. O tema de Setembro: Into the Woods. Inicialmente iria para uma ideia mais "normal" - uma fada, ou uma jovem perdida, uma história de mistério suave e bonita. No entanto, queria algo mais. Deixar mais no ar - e talvez um ar mais pesado também. E, por isso, sem comprometer a beleza da coisa, tentei uma abordagem mais tenebrosa do assunto.







Permitam-me só um louvor ao namorado-de-pseudo-fotógrafa mais espectacular do mundo: por alinhar em acordar com as galinhas a um Domingo, por se colocar à frente da objectiva, por virar actor por um momento e ser plasticina com movimento e emoções. Obrigada Zé!


Emergência: O futuro dos nossos miúdos está em risco

Há uns anos, mal acabei de ver o Before the Flood, tomei uma decisão, com lágrimas de medo nos olhos: tinha que fazer alguma coisa. O futuro dos meus filhos, sobrinhos e netos que ainda não tinha - e o meu! - está em risco. Agora que já tenho sobrinhas tudo é muito mais real. Mais ameaçador. Agora que a Amazónia está a arder sem perdão à mão de madeireiros e fazendeiros que querem produzir mais e mais soja para farinha de alimentação de animais - algo que já acontecia mas que piorou, provando que o voto tem impacto real -, a necessidade de agirmos em conjunto é muito mais urgente. Sei que este argumento é muito antropocêntrico, mas pode ser que o egoísmo humano nos salve da catástrofe para todos os seres.

Fonte
No dia em que saí de casa dos meus pais alterei a minha alimentação: reduzi drasticamente a quantidade de carne que cozinho (dando larga preferência ao frango e porco que têm uma pegada ecológica muito menor); habituei-me a comer vegetais (e apaixonei-me por eles pelo caminho!), de preferência comprados a pequenos produtores nas feiras e mercados; reduzi o tamanho das doses. Garanto que a conta do supermercado está bem menor do que se comprasse muita carne e nada piorou na minha saúde. Parei de comprar roupa "só porque sim" - primeiro porque há contas para pagar e depois por perceber o impacto que essas compras têm no ambiente e na vida de outros. E isto é suficiente? Nem pensar. Estou longe de ser perfeita e nunca exigiria isso a ninguém. Sei que podia fazer muito mais. Eu como carne, eu bebo leite, eu uso o carro, eu faço compras em lojas não-sustentáveis. Mas os dois primeiros R's tornaram-se regra: Recusar e Reduzir. Procuro avaliar se os partidos em que voto têm preocupações ambientais. A acção colectiva terá sempre mais impacto do que a individual. Estou bem longe de ser perfeita, mas tento fazer um pouco para ajudar. E, mesmo ficando com sentimento de culpa, quero saber as consequências dos meus actos.

A minha pegada ecológica, de acordo com a calculadora do WWF

Imaginem o efeito de muitos a fazer pouco...

Não é um "olhem para mim que estou a fazer um esforço". É um "se eu consigo fazer qualquer coisa, todos conseguimos". Estou longe de ser activista ou ambientalista, mas isso não significa que não possa fazer nada. Imaginem se toda a gente abdicasse de carne um ou dois dias por semana - e ninguém deixaria de ser saudável por isso. Imaginem se toda a gente que tem essa possibilidade abdicasse do carro sempre que possível. Imaginem se toda a gente fosse mais conscienciosa quanto à quantidade de roupa e de gadgets que compra. Acho que não preciso de vos falar das consequências do consumo de carne - desde a emissão de metano que leva à destruição da camada de ozono, à desflorestação e consequente redução da produção de oxigénio - e do consumo desenfreado de produtos - com as suas emissões, exploração das minas de lítio, poluição da água, etc. - porque isso está por todo o lado. Basta ler. Imaginem se toda a gente exigisse que os partidos e governantes assumissem políticas de protecção ambiental (basta ver as consequências na China, EUA e Brasil da ausência dessas preocupações).

Não consigo entender quem diz com orgulho que os que falam e se preocupam com o ambiente são uns neuróticos, como se isso fosse uma bandeira de resistência. E quando isso vem de pessoas com filhos e netos, ainda dói mais. Ninguém exige que viremos todos vegans. Apenas se pede que se consuma menos, que se resfrie a comodidade e os hábitos e que se pense mais nas consequências do nosso consumo e da nossa opinião. Não tem que ser 8 ou 80! E o futuro depende disso! Se não for pela Terra ou por nós, que seja pelo futuro dos miúdos! 

Conseguimos votar também com o nosso dinheiro. Dizer às empresas que políticas ambientais apoiamos. Indicar os produtos que queremos e em que quantidade os queremos.

Muitos a fazer pouco teria muito mais impacto do que poucos a fazer muito e, acreditem, não é difícil. Por favor. Por nós. Pelos nossos miúdos.

Retratografia | Minimal

Tiremos o pó deste blog. E tiremos com um regresso mais do que devido: fico ainda com o de Junho em atraso, mas cá está o Retratografia de Julho! Para este mês, o desafio proposto pela Catarina passava por recriar o nosso próprio conceito de Minimal. Ora, se eu até me considero minimalista em muita coisa, na fotografia não posso dizer que o seja - nem deixe de ser. A verdade é que procuro apenas que faça sentido e que o destaque esteja no elemento correcto, acima de tudo - independentemente de se poder dizer que é uma imagem minimalista ou não.






Podem então imaginar as voltas que dei para tentar recriar este conceito. Não queria procurar uma parede branca e trabalhar a partir daí. Procurei inspirações, e para além da moda - que seria uma excelente área para explorar neste tema - o que mais me atraiu foram os jogos de luzes. E foi com esses jogos que quis trabalhar: claro vs escuro, a força do contraste transmitindo tudo o que há para transmitir. O Zé deu o corpo ao manifesto e aqui chegamos: cá ficam as fotos de Julho.

A minha câmera é bem mais velha do que eu

No último Natal fui abençoada com dois brinquedos que têm feito os meus dias. Um deles foi uma Canon AE-1: uma câmera analógica cuja produção ocorreu entre 1976 e 1984 e que, para além de ser linda e peça de decoração cá em casa, já me rendeu umas aventuras fotográficas bem interessantes.





First World Problems

Comecei as minhas lides fotográficas "a sério" já na era digital: o chimping (aquela coisa de ver como ficou toda a santa foto que tirámos) fez portanto parte da minha aprendizagem para perceber como é que tudo funciona; estou habituada a poder confiar no fotímetro e a adaptar o que ele me mostra à realidade sem dificuldade se assim for necessário; foco manual só mesmo em casos muito específicos.

Mas a magia do analógico é mesmo essa: não ter acesso a nada disso. O fotímetro está lá mas é preciso estar em cima das luzes e sombras. Ver como ficou a foto? Só quando revelares o rolo. Tirar 30 fotos e uma delas há de resultar? Não vai dar, não sou rica! Foco manual? Tem que ser, não há outra opção!

Foi com os olhos a brilhar que recebi esta câmera. Eu já tinha uma SLR, analógica (roubada aos meus pais!), mas que só diferenciava da minha DSLR precisamente por não ser digital - de resto, tinha todos os automatismos a que estamos habituad@s. Mas com a AE-1, não tinha nada disto. Tudo o que saísse deste rolo seria responsabilidade minha. Absolutamente tudo! E, portanto, rebentei com o primeiro rolo em menos de um ápice.


No expectations

Domingos em que não há nada para fazer: tenho uma relação amor-ódio com eles. Adoro a liberdade, odeio a sensação de "ser Domingo". Não sei, desde miúda que sou invadida por tamanhos blues que fico completamente virada do avesso. Em todo o caso, o que tento fazer é fingir que é um sábado, na verdade. Porque não, não anseio pela segunda-feira.

Blazer - Zara | Blouse - Vintage | Earrings - Bershka | Jeans - NetJeans | Bag . Primark
Fotografia de José Santos 


Um passeio, um pouco de sol, um casaco giro, descomplicado, boa companhia, e terminar o dia com uma francesinha ajudam sempre. Saímos de casa sem grandes planos. Espreitamos a Time Out e descobrimos a Bienal de Fotografia - e lá fomos até ao Centro Português de Fotografia. A partir daí foi tudo completamente à sorte, a vaguear sem saber bem para onde.

Especialidade: Sofrer por Antecipação

Eu sei que já tenho dito isto por cá, mas correndo o risco de me repetir: eu até me considero uma pessoa optimista. Não conto ser despedida a qualquer momento, não acho que se for sozinha a algum lado vou sentir-me mal e abandonada a um canto, não acho que o mundo está contra mim, acredito que as novas gerações saberão aprender com os erros das anteriores. Mas, e aqui está um grande mas, quando a coisa toca na possibilidade de alguém me estar a "enganar" ou a "ser simpático" só para não me magoar, aí já mudo de atitude.


A Saga do Telemóvel - que não foi saga nenhuma...

Há umas semanas o meu telemóvel avariou. Foi uma compra "sofrida", um investimento pensado e que é para durar uns anos valentes (até avariar de vez, basicamente). Podem, portanto, imaginar o meu pânico quando ele avaria a escassos dias de fazer um ano. Pensamento automático: vão dizer que o deixei cair, vão saltar fora da garantia, vão... enfim. O Zé já estava farto de aturar o meu dramatismo e ainda nem 10 minutos tinham passado. Quando descubro que a loja onde o comprei tinha fechado, tive um ataque de riso nervoso. Não dormi direito. No dia seguinte, à hora de almoço, levo-o à assistência da Huawei.

Retratografia | Vintage

Vintage. É o tema do Retratografia de Maio e, embora a inspiração fosse algo mais victoriano do que o caminho que segui, foi impossível não pensar imediatamente na vibe 80's do carro que o meu irmão está a restaurar. A Catarina propôs a recriação de um estilo e de um tempo passado, e eu resolvi ficar pelo passado recente - e, confesso, não me arrependo!


Se o meu irmão gosta de ser fotografafo? Ele diz que não. Se eu gosto de o fotografar? Yep! Especialmente num contexto tão "dele": motorhead, mãos na obra, num carro que ainda está longe de acabado e que mesmo assim já está muito cool. Nem imagino quando estiver pronto!






Tempos estranhos

Tempos estranhos, estes. Em que passamos directos do Inverno para o Verão e do Verão para o Inverno, e continua a haver quem não veja nada de estranho nisto. Em que um continente inteiro chama anti-europeístas para o Parlamento Europeu. Em que há um sururu gigante com o Artigo 13 e com as sanções da Europa e depois há uma abstenção de quase 70%. Em que um dos maiores líderes mundiais ameaça outros países com guerras - militares e comerciais - e depois deixa morrer o assunto simplesmente deixando de falar dele. Em que tantas pessoas se dizem feministas, justas, eloquentes, inteligentes, mas depois julgam toda e qualquer pessoa que goste de falar de assuntos "fúteis" ou que "tenha a mania que sabe falar de política" - és pres@ por ter cão e preso por não ter -. Em que nos preocupamos mais com o final da Taça de Portugal do que com a noite eleitoral. Em que educamos os miúdos para terem boas notas e não para aprenderem. Em que vamos tomar café com os amigos e passa toda a gente, o tempo todo, com o nariz enfiado no telemóvel.

Jacket - c/o Zaful | Dress - Massimo Dutti (Thrifted) | T-shirt - Zara | Bag - Pimkie (Thrifted) | Boots - Primark
Fotografia de José Santos



Eu sou daquelas pessoas que tem fé eterna no mundo, que acha sempre que tudo só pode ficar melhor ou que, pelo menos, não pode piorar. Mas nem o melhor dos optimistas o consegue ser 100% do tempo. E longe de achar que a vida é terrível - que não é, mesmo, de todo! - ou de achar que o que eu disse acima se aplica a tod@s - que não aplica, de todo! - vejo muita coisa estranha à minha volta.

Então agora GOT é anti-feminista?!

!ALERTA SPOILERS!

Se acompanham Game of Thrones e ainda não chegaram ao final, sugiro que se retirem de fininho e voltem aqui quando acabarem - a série é só um pretexto para esta discussão mas de certeza que vou escrever algo que vocês não querem ler!

E agora, o verdadeiro assunto:

Caramba. Eu sou feminista. Digo-o quantas vezes for necessário, com todo o orgulho e a força que já vai sendo preciso ter para dizer isto porque aparentemente continua a ser preciso explicar o que é o feminismo e uma pessoa cansa-se. Mas nem tudo é "militância". As mulheres não têm que ser glorificadas e dadas como a melhor das opções em todo e qualquer contexto só por serem mulheres.

A Dany deu a louca. A Arya teve medo. A Cersei fraquejou. O Jon mostrou ser um homem "do bem" e adepto do "for the greater good". E não sei se passo demasiado tempo a ver memes e comentários, mas ver mulheres a dizer que isto é misoginia faz-me confusão.

Votar nas Eleições Europeias: Para quê?

As eleições europeias aproximam-se a passos largos: no próximo dia 26 de Maio, Domingo, há encontro marcado nas urnas por esse Portugal - e Europa - fora.

Em 2014 registamos a taxa de abstenção mais alta na história das eleições europeias: apenas 42,5% dos eleitores europeus foram votar. O que significa que 57,5% dos europeus deixaram a escolha na mão dos outros eleitores. Em Portugal, 66,2% dos eleitores abdicaram do seu direito de escolha e da sua voz, segundo o PORDATA.

Mas vale a pena votar?


Talvez já tenham percebido qual é o meu ponto de vista sobre esta questão pelo parágrafo anterior. Não vejo o voto como um direito a exercer apenas se nos apetecer, ou a abstenção como uma arma de arremesso quando achamos que "são todos iguais". Deixar a escolha na mão dos outros eleitores e depois dizer "não quero saber de política, são todos iguais" é descartar-se de toda a responsabilidade que esse direito traz consigo. É perder também o direito de dizer precisamente o que tanto se gosta de apregoar: que é tudo igual e não vale a pena. Mais do que um direito, vejo o voto como um dever - o nosso dever de zelar pelos nossos próprios interesses, individuais e colectivos, como cidadãos de democracias livres e funcionais. Não pretendo vir aqui dar uma de cidadã exemplar ou de tentar dar "lições de moral" a ninguém, mas gostava de ver uma maior participação e interesse por estes assuntos que são, efectivamente, fulcrais na vida de tod@s nós.

Dito isto:

O que se decide nas eleições europeias?

Jiji à Lyon: Parc de La Tête d'Or ou o parque dos meus sonhos

Há pouco mais de um ano atrás, passeava pelas ruas de Lyon com a malta da in skené. E que traça com que já estou de repetir a dose (embora tenha ido à Suíça em Outubro e ainda nem tenha começado a falar disso por cá!). Que vontade de voltar ao Mundo e de conhecer novos recantos como este magnífico parque.

Parc de La Tête d'Or




Já o disse por cá: fui para Lyon sem fazer a mínima ideia do que esperar. E foi maravilhoso. O Parc de La Tête d'Or foi dos lugares que mais me encantou - logo a seguir a Vieux Lyon, zona da qual já vos falei. Este é o maior parque urbano de França, contando com um zoo, um lago com barquinhos, um jardim botânico, estufas (e como eu adorei as estufas!), póneis, veados, e todo um mundo de ambientes diferentes, perfeitos para famílias, turistas, e só para uma corrida ou um livro ao final da tarde.

Feelin' it

Pronto. Confesso. Estava, de facto, num dia daqueles em que tudo parece correr bem e bater certo e as estrelas se alinham e até sem maquilhagem (fora o batonzito!) me estava sentir a última bolacha do pacote. Desses dias.

Pants - Lefties | Jacket & Shirt & Bag - Vintage | Sunglasses - Nafta Vintage | Shoes - Primark
Fotografia de José Santos

Será culpa do vintage?

Culpem a minha camisa leopardo a ser usada com o meu mais-que-querido lacinho. Culpem o casaco que roubei - again - ao Zé. Culpem as minhas calças com racing stripes, que também já apareceram por cá. Culpem os meus óculos lindinhos que pus na cara por gozo e acabaram por se tornar na minha nova paixão assolapada, exactamente como aconteceu com a carteira. Socorro. Serei uma hipster e não sabia?

Almejando outra visita ao Almeja

Foi ainda no ano passado que tive o prazer de, a convite da Zomato, estar presente num jantar no Almeja que nos permitiu conhecer este espaço, na altura aberto recentemente, o seu conceito, e também uma nova forma de fazer chegar a água aos nossos copos na restauração e em empresas: as garrafas d'água.




O Almeja aproveitou a recuperação de um edifício no coração da Rua Fernandes Tomás para trazer à Baixa um espaço lindíssimo, acolhedor e ao mesmo tempo moderno. O seu conceito de casual fine dinning, conjugado com a sua preocupação com a sustentabilidade e com a utilização de produtos frescos, que vêm directamente dos produtores, garantem que cada visita será diferente, fresca e saborosa - tanto que os menus estão sempre a mudar, e podem espreitar o mais recente no site.

Neste jantar, conhecemos também a d'água, uma marca portuguesa que se foca na purificação da água que nos é servida na torneira e que permite que após esse processo a água seja engarrafada em garrafas bonitas, reutilizáveis e seguras que são um mimo para a vista e para o ambiente.


Nesta visita, começamos o jantar com pão, azeite e manteiga caseira, como não podia deixar de ser - e um shout out da louca do couvert para a manteiga que foi só a melhor que já comi. Demos início às festividades com cogumelos silvestres com tupinambo e limão, numa mistura de sabores forte e salgada.

Iniciamos os pratos principais com um arroz "Negro" do Mondego com peixe, choco e salicórnia que me fez conhecer o meu amor por bacalhau fresco - que, acreditem, é óptimo! - seguido de porco Bísaro com legumes de outono, que provavelmente foi o meu preferido - dêem-me um puré de abóbora como acompanhamento a uma carne saborosa e bem grelhada e eu sou uma mulher feliz.

A liberdade de expressão funciona para os dois lados

"Já não há liberdade de expressão!"
"Já não se pode dizer nada!"
"Agora és obrigado a ser politicamente correcto!"


Na Era das fake news, dos trolls e das caixas de comentários que mais parecem campos de batalha, já não sei dizer quantas vezes li estas frases nos últimos anos. Na verdade, o 25 de Abril permitiu-me ler muita coisa que inspirou este post. Entendo que hoje em dia meio mundo se ofende com coisas que não lembram a ninguém e isso é irritante, mas estas afirmações, aliadas ao "lobby gay", à "ideologia de género" e ao "marxismo cultural" são provavelmente das expressões mais utilizadas como desculpa para se evitar uma discussão rica em argumentos e partir para o "eu tenho a minha opinião e tu tens a tua, por isso tens que me deixar em paz".

Mas isso não funciona assim...

Segundo a Constituição Portuguesa:

Artigo 37.º
Liberdade de expressão e informação

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

3. As infrações cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respetivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei.

4. A todas as pessoas, singulares ou coletivas, é assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de retificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos.

Retratografia | Self-Portrait

Retratografia de Abril traz-nos algo que adoro: Self-Portrait. Os auto-retratos fazem parte do meu arsenal de expressão já há muitos anos - com mais ou menos jeito para isso, não importa, e até já vos falei disso por cá - por isso desta vez quis abordar o tema proposto pela Catarina de uma forma diferente, trazendo uma série com um tema único: Reflexos.

O objectivo era captar pedaços da minha vida em forma de reflexo, numa tentativa de mostrar não só quem eu sou, mas também o que me rodeia.

Joana em máquina de peluches na Feira de Março

Joana em porta na Praça dos Leões

Joana e Zé em lâmpada na Rua do Almada

Tentar captar o contexto tornou tudo muito mais complexo: o que é que realmente tem significado, de tal forma que mereça passar para esta série? Procurei então quem, quando e onde estão os pontos importantes de quem sou neste momento. As pessoas, os sítios, os gostos, e a estética.

Nem todos gostamos de amarelo

Mas eu gosto! E acabo por ser um bocadinho apologista do "gostos não se discutem" - porque, de facto, se somos um produto do que nos rodeia, e tendo em conta todos os diferentes contextos e estímulos que cada um de nós tem, é normal que nem tod@s gostemos do mesmo - de amarelo, de roxo, de laranja, de legumes, de bacalhau, de música clássica, de kizomba, ou seja lá do que for. Mas...

Bomber - Bershka | Jeans - Sfera | Boots - Primark | Blouse - Zara (all old)
Fotografia de José Santos


... penso que isso tem limites. Os mais básicos prendem-se com garantir que o nosso gosto não é imposto a ninguém. Exemplo simples? Ouvir música num local público sem phones ou aos berros ao Domingo de manhã de tal maneira que a rua toda ouve! E também gosto de discutir os gostos sempre que esses levam a que não se experimente nada de novo: seja no que toca a cores, música, comida, ou uma actividade qualquer. Faz-me confusão ver alguém com orgulho de dizer que não gosta de x ou y, como se isso fosse um selo de aprovação de alguma entidade oficial. Não é, e pode mudar como muda o vento: basta ter abertura para experimentar coisas novas!