A minha câmera é bem mais velha do que eu

No último Natal fui abençoada com dois brinquedos que têm feito os meus dias. Um deles foi uma Canon AE-1: uma câmera analógica cuja produção ocorreu entre 1976 e 1984 e que, para além de ser linda e peça de decoração cá em casa, já me rendeu umas aventuras fotográficas bem interessantes.





First World Problems

Comecei as minhas lides fotográficas "a sério" já na era digital: o chimping (aquela coisa de ver como ficou toda a santa foto que tirámos) fez portanto parte da minha aprendizagem para perceber como é que tudo funciona; estou habituada a poder confiar no fotímetro e a adaptar o que ele me mostra à realidade sem dificuldade se assim for necessário; foco manual só mesmo em casos muito específicos.

Mas a magia do analógico é mesmo essa: não ter acesso a nada disso. O fotímetro está lá mas é preciso estar em cima das luzes e sombras. Ver como ficou a foto? Só quando revelares o rolo. Tirar 30 fotos e uma delas há de resultar? Não vai dar, não sou rica! Foco manual? Tem que ser, não há outra opção!

Foi com os olhos a brilhar que recebi esta câmera. Eu já tinha uma SLR, analógica (roubada aos meus pais!), mas que só diferenciava da minha DSLR precisamente por não ser digital - de resto, tinha todos os automatismos a que estamos habituad@s. Mas com a AE-1, não tinha nada disto. Tudo o que saísse deste rolo seria responsabilidade minha. Absolutamente tudo! E, portanto, rebentei com o primeiro rolo em menos de um ápice.


No expectations

Domingos em que não há nada para fazer: tenho uma relação amor-ódio com eles. Adoro a liberdade, odeio a sensação de "ser Domingo". Não sei, desde miúda que sou invadida por tamanhos blues que fico completamente virada do avesso. Em todo o caso, o que tento fazer é fingir que é um sábado, na verdade. Porque não, não anseio pela segunda-feira.

Blazer - Zara | Blouse - Vintage | Earrings - Bershka | Jeans - NetJeans | Bag . Primark
Fotografia de José Santos 


Um passeio, um pouco de sol, um casaco giro, descomplicado, boa companhia, e terminar o dia com uma francesinha ajudam sempre. Saímos de casa sem grandes planos. Espreitamos a Time Out e descobrimos a Bienal de Fotografia - e lá fomos até ao Centro Português de Fotografia. A partir daí foi tudo completamente à sorte, a vaguear sem saber bem para onde.

Especialidade: Sofrer por Antecipação

Eu sei que já tenho dito isto por cá, mas correndo o risco de me repetir: eu até me considero uma pessoa optimista. Não conto ser despedida a qualquer momento, não acho que se for sozinha a algum lado vou sentir-me mal e abandonada a um canto, não acho que o mundo está contra mim, acredito que as novas gerações saberão aprender com os erros das anteriores. Mas, e aqui está um grande mas, quando a coisa toca na possibilidade de alguém me estar a "enganar" ou a "ser simpático" só para não me magoar, aí já mudo de atitude.


A Saga do Telemóvel - que não foi saga nenhuma...

Há umas semanas o meu telemóvel avariou. Foi uma compra "sofrida", um investimento pensado e que é para durar uns anos valentes (até avariar de vez, basicamente). Podem, portanto, imaginar o meu pânico quando ele avaria a escassos dias de fazer um ano. Pensamento automático: vão dizer que o deixei cair, vão saltar fora da garantia, vão... enfim. O Zé já estava farto de aturar o meu dramatismo e ainda nem 10 minutos tinham passado. Quando descubro que a loja onde o comprei tinha fechado, tive um ataque de riso nervoso. Não dormi direito. No dia seguinte, à hora de almoço, levo-o à assistência da Huawei.

Retratografia | Vintage

Vintage. É o tema do Retratografia de Maio e, embora a inspiração fosse algo mais victoriano do que o caminho que segui, foi impossível não pensar imediatamente na vibe 80's do carro que o meu irmão está a restaurar. A Catarina propôs a recriação de um estilo e de um tempo passado, e eu resolvi ficar pelo passado recente - e, confesso, não me arrependo!


Se o meu irmão gosta de ser fotografafo? Ele diz que não. Se eu gosto de o fotografar? Yep! Especialmente num contexto tão "dele": motorhead, mãos na obra, num carro que ainda está longe de acabado e que mesmo assim já está muito cool. Nem imagino quando estiver pronto!






Tempos estranhos

Tempos estranhos, estes. Em que passamos directos do Inverno para o Verão e do Verão para o Inverno, e continua a haver quem não veja nada de estranho nisto. Em que um continente inteiro chama anti-europeístas para o Parlamento Europeu. Em que há um sururu gigante com o Artigo 13 e com as sanções da Europa e depois há uma abstenção de quase 70%. Em que um dos maiores líderes mundiais ameaça outros países com guerras - militares e comerciais - e depois deixa morrer o assunto simplesmente deixando de falar dele. Em que tantas pessoas se dizem feministas, justas, eloquentes, inteligentes, mas depois julgam toda e qualquer pessoa que goste de falar de assuntos "fúteis" ou que "tenha a mania que sabe falar de política" - és pres@ por ter cão e preso por não ter -. Em que nos preocupamos mais com o final da Taça de Portugal do que com a noite eleitoral. Em que educamos os miúdos para terem boas notas e não para aprenderem. Em que vamos tomar café com os amigos e passa toda a gente, o tempo todo, com o nariz enfiado no telemóvel.

Jacket - c/o Zaful | Dress - Massimo Dutti (Thrifted) | T-shirt - Zara | Bag - Pimkie (Thrifted) | Boots - Primark
Fotografia de José Santos



Eu sou daquelas pessoas que tem fé eterna no mundo, que acha sempre que tudo só pode ficar melhor ou que, pelo menos, não pode piorar. Mas nem o melhor dos optimistas o consegue ser 100% do tempo. E longe de achar que a vida é terrível - que não é, mesmo, de todo! - ou de achar que o que eu disse acima se aplica a tod@s - que não aplica, de todo! - vejo muita coisa estranha à minha volta.