Aprender e melhorar algo que queremos desenvolver implica necessariamente conhecer o que existe, treinar, experimentar e saber as regras para poder quebrá-las. Fazer só "por fazer", sem reflectir sobre isso, nunca nos permitirá crescer como devíamos e desenvolver as nossas capacidades. O mesmo se aplica ao nosso crescimento como pessoa.
Passamos tanto tempo com a cabeça colada ao ecrã do telemóvel, que nos esquecemos de olhar para cima. Gastamos tanto em roupas e tretas que usamos uma vez para nunca mais pegar, e a seguir dizemos que a Cultura é cara e que não há dinheiro para bilhetes ou livros. Não é verdade, tudo é uma questão de prioridades (quando a corda não nos está no pescoço, claro).
Sem arte, sem sensações, sem imaginação, seríamos apenas máquinas. Essa não é uma vida que eu queira viver. A fotografia, teatro, literatura, cinema, e qualquer outra forma de arte trazem à superfície aquilo que verdadeiramente nos distingue como seres humanos: a nossa capacidade de interpretar e imaginar, de ver o belo e as histórias no meio de algo que pode ser interpretado de mil formas diferentes se for visto por mil pessoas diferentes.
E, por isso, tenho feito o esforço consciente de me deixar contagiar pelo que é posto à minha disposição: dar prioridade àquilo que verdadeiramente me enriquece. Exposições, livros, filmes, lugares, conteúdos online que têm algo a acrescentar àquilo que sou. Não quero, de forma nenhuma, armar-me em supra-sumo da cultura e da arte - estou bem longe disso. Mas há algo neste tipo de experiência que, num mundo em que o imediatismo e o óbvio são o que mais vende, nos torna melhores pessoas - mais pessoas.