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O Quarto

Quando a nossa casa nos veio finalmente parar às mãos, a minha cabeça andava a mil ao imaginar as possibilidades de ter um espaço verdadeiramente nosso, onde podíamos sentir-nos realmente confortáveis e transformá-lo num lar. 


A primeira divisão que ficou minimamente "pronta" foi, claro, o quarto - afinal de contas, precisávamos de dormir em algum lado mesmo que a casa estivesse virada do avesso (que esteve, durante muito tempo), e a minha mania de arrumar antes de dormir nunca me deixaria descansar enquanto o quarto não estivesse minimamente habitável e arrumado. Desde então já sofreu algumas alterações, arranjos pontuais e tweaks que me vão surgindo. Não digo que esteja 100% terminado mas está perto - mas sei que vão sempre surgindo ideias e projectos de DIY novos. Entretanto, deixo-vos espreitar o nosso quarto no seu estado actual!



O Início


Paredes ok, tecto cheio de condensações porque os antigos donos não abriam as janelas, uma parede com um painel de madeira envernizado com um verniz cor-de-laranja, um "closet" preto - que na verdade é um armário enorme encaixado num walk-in sem porta - que parecia um buraco negro mesmo em frente à cama. Não recebemos nenhuma desgraça, mas sem dúvida que tínhamos muito o que fazer para deixar este espaço como queríamos: leve, airoso, calmo e confortável, com madeiras à vista e toques de materiais "em bruto" - acabamos depois por perceber que a corda ia ser um elemento repetido.


Sou de luas

Veio a vontade de escrever, de regressar. Afinal este bichinho nunca me abandona mesmo quando o meu lado racional diz "que perda de tempo" - há um outro lado qualquer de mim que se sente abandonado, no meio da correia do dia-a-dia, e que sente que merecia mais atenção: aquele meu lado que faz as coisas só pelo prazer de as fazer, sem um objectivo em concreto, sem um propósito que não seja o de criar e partilhar só porque posso. O que o salva é que, de quando em vez, lá me lembro que ele existe. Não quer dizer que volte com a mesma frequência, ou com qualquer frequência que seja, a não ser a que me apetecer, mas é bom não deixar que aquilo de que gostamos ganhe demasiado pó.


Bem sei que já ninguém tem tempo para ler os devaneios do outro. Ou para se preocupar com o que vai na cabeça do outro. Ou talvez seja mesmo uma necessidade de nos focarmos em nós mesmos quando o mundo à volta está um caos - que está. Mas aqui fica o meu devaneio, só pela vontade de o despejar em algum sítio e talvez vos entreter por uns minutos.




Nos últimos meses houve uma casa que se tornou lar, houve afinar de prioridades, houve ausências, regressos, desilusões, sorrisos e certezas, houve desafios que aceitei com medo (mas feliz) e outros que aceitei por sentido de dever (e que tenho que aprender a gerir). Há pensamentos sobre o futuro próximo e a longo prazo, onde estou e onde quero estar. Isto deve ser mal de millenial.


Falta-me olhar mais para mim, para os meus, dar mais atenção ao que me diz respeito e deixar estar sossegado aquilo que não me é pedido. Ai coitadinha de mim! - não, não é nada disso, sou eu que me ponho nesta posição - defeito de fabrico. Um lembrete por escrito pode ser que funcione melhor, pode ser que resulte.


Entretanto, tenho mesmo que dar atenção a este meu lado. Há uns dias a Inês publicou uma story com um pequeno parágrafo sobre deixarmo-nos criar sem filtro, sem expectativas, sem um resultado em concreto em mente, e eu, que nem sou dada a "inspirações", senti aquilo como uma pedrada. Era para mim. Não era para mim como "ser especial que sabe fazer coisas", não, era para mim como ser humano que se deixou cair na rotina e na mesmice. Às vezes esqueço-me de como é bom fazer algo só porque sim. 


Um lembrete por escrito pode ser que funcione melhor, pode ser que resulte. 

Veremos. Olá!


Desabafos de Ano Velho e desejos de Ano Novo

Se um dia alguém me perguntar como foi 2020, desconfio que a resposta será sempre um olhar embasbacado, seguido de um "eu xei lá, menina!" - na melhor das hipóteses, e espero nunca mudar de opinião!


Ao mesmo tempo que pareceu demorar um século a passar, também voou. Ontem apercebi-me de que estive quase metade do ano em teletrabalho. Estive com os meus amigos uma ínfima parte do tempo que queria, e sobre o tempo que estive com a minha família... prefiro nem falar. Temos o nosso ninho há mais de dois meses, mas ainda não conseguimos mostrá-lo aos nossos amigos - e raios, nem sequer conseguimos montar a casa em condições porque tudo tem uma logística muito mais complicada e queremos evitar riscos desnecessários. Tenho plena consciência de que sou "histérica" para muitos dos que me rodeiam, embora não me tenha fechado ao mundo, mas prefiro pecar por excesso do que arrepender-me de pôr os meus em risco. O respeito que devo a quem está a lutar contra isto e a vontade de proteger a saúde é maior do que o FOMO.


Por outro lado: conseguimos cumprir uma meta importantíssima na nossa vida, temos saúde, tudo está bem nos nossos trabalhos, temos amor, temos novo membro na família, e viva a tecnologia que nos permitiu manter o contacto, mesmo à distância, e até nos deixou fazer algumas coisas giras nos nossos projectos, como workshops e criações na in skené, e aprender imenso este ano. Há uma vacina, há SNS, há apoio social, há segurança.



Tenho plena consciência de que quase tudo o que escrevo recentemente de mais pessoal tem uma névoa por cima, mas juro - juro! - que não estou pessimista. Mesmo. Os ciclos repetem-se, e calhou-nos ficar com a pandemia no nosso leque de histórias para contar a netos - que isto passe depressa para podermos contar esta história sem ficar com saudades de ninguém a apertar o coração, é o que peço. E, a quem já perdeu alguém, só me resta deixar um grande abraço. Isto é uma merda, é uma grande merda. 


Mudamos de ano, mas não mudamos de vida - não tenho ilusões, não espero que no dia 1 de Janeiro algo de mágico aconteça para ficar tudo bem. Mas, e este é um grande, gigante, enorme mas, há esperança! Esperança de que daqui a um ano já nos possamos abraçar e festejar 2022 em condições (porque apesar das vacinas ainda vamos demorar até poder largar as medidas de prevenção todas). Veremos. Fingers crossed! E máscaras e abraços virtuais e a certeza de que quando eles vierem a sério vão ser muito mais apreciados!


Que 2021 seja bem menos eventfull, que tenha menos surpresas, e que as que venham sejam boas. Que as pessoas se eduquem e se informem com base em factos e não em opiniões desinformadas, que votem de acordo com a verdade e não com base em populismos, que se vacine com vontade, que haja sossego e respeito pelo outro, e que possamos abraçar. São os meus desejos para 2021: abraços!


A cada um de vocês:

um excelente 2021 - que seja BEM melhor do que o ano que agora acaba!


Devaneios no meio do pó

E este pó todo?!

[Figurativo e real, também]

*Bufa com força*


Ora viva! Como estamos? Essa vida, como vai?




Por aqui, tudo bem. Muita coisa mudou - depois conto em detalhe, se ainda estiver alguém desse lado! - mas no que diz respeito a estar viva e de boa saúde, está tudo bem. Com a família também, obrigada. 


Planeava passar por cá há uns tempos mas faltava-me "motivo"... sei lá. Já não sei se este espaço é meu ou nosso, e por isso não sei se tenho algo de útil a acrescentar. Sinto que sim, talvez, mas talvez não, então fico a pensar se é relevante. Estou a falar para mim, para as paredes, ou para alguém desse lado? A bem dizer, e se quero que o que cá vem parar seja honesto, isso pouco importa. Mas agradeço cada pedacinho da tua atenção, car@ leitor ou leitora que provavelmente pensava que este era só mais um blog morto. Esteve moribundo, sim. Veremos.


Acabei de reler este post e fiquei sem saber se ria ou se chore. Sabe nada, inocente. Doze dias depois já eu andava a fazer considerações sobre a vida, e mais de meio ano depois, cá continuamos sem saber o que fazer. 'Tá giro. 2020 está a trazer-me um misto de ânimo pelo futuro e um medo horrível do que aí vem (e fosse o cobirus o maior dos nossos males...). A minha estratégia é meter a cabeça ligeiramente enterrada na areia, mas não totalmente: mantenho-me informada e logo a seguir tento arranjar qualquer coisa para me distrair, para não ter tempo de ter uma crise existencialista. Até agora, tem funcionado! Olhemos para as coisas bonitas da vida, portanto. 


A verdade é que me queixo com a barriga cheia. Eu e os que me importam estão com saúde, casa, trabalho, segurança e, acima de tudo, muito amor. As grandes mudanças deste ano foram para melhor a nível pessoal e familiar, e ninguém está com a corda no pescoço naquilo que mais importa. 


Será isto um regresso à escrita aqui no estaminé? SIM! 

Será duradouro? SIM!

Que conteúdos vêm aí? NÃO SEI! 


Vá, a vida até me está a dar do que falar, senão, vejamos: compramos uma casa; tenho muita renovação e decoração para fazer; tornei-me numa plant lady; o mundo está cheio de gente de lixo que me faz querer fazer rants; o mundo tem muita coisa bonita que me faz querer que toda a gente saiba que essas coisas existem; continuo a gostar de coisas bonitas e de moda e tudo isso, mas sem sair de casa só mesmo com esforço é que a coisa importa; estou a tentar ser uma pessoa sustentável e sinto que de cada vez que falo sobre isso aqui aprendo algo novo; tenho uma loja de roupa em segunda mão - shameless plug à @jirasegundamao lá no Instagram -; tenho muitas - MUITAS - fotografias para vos mostrar, e sinto que já me levo um pouco mais a sério nestas andanças - espreitem aqui; ...


Temas não faltam, e a costumária mania de que sei escrever também não, portanto, vamos a isso. Aceitam-se discos pedidos! 

Querem que fale da compra de casa? Querem que fale dos planos de decoração? Querem que fale da crise existencial de não saber se quero ter filhos num mundo com Trump e aquecimento global? Querem que recorde viagens que parecem ter acontecido há 10 anos? 

Tenho saudades de vos ler lá em baixo!


Um beijo e obrigada por estarem aí!

Não sei quantos dias depois

O abraço da minha Mãe. O riso do meu Pai. 
A Chica às minhas cavalitas. O sorriso doce da Mariana. As private jokes com o meu irmão. 
A viagem que tínhamos marcado para Berlim. 
O caminho diário para o trabalho. Os ensaios de sexta-feira à noite. A ida ao mercado e à feira ao Sábado de manhã. Os passeios de Sábado à tarde. O cinema ao Domingo. A piscina ao final da tarde.

Nem sei se tenho saudades ou se é tudo tão inacreditável que estou "parada no tempo".

Parece que estamos a a viver num episódio qualquer meio esquisito de Black Mirror. É tudo surreal, estranho. As imagens de ruas vazias - e eu, como nem saio de casa, nem as vou ver ao vivo -; o trabalhar sem sair daqui; a sensação de desconfiança e, ao mesmo tempo, de companheirismo nas raras visitas ao supermercado. Valha-nos a tecnologia. Valha-nos a capacidade que criamos de comunicar, entreter, informar, ou estaríamos a ficar todos doidos - não duvido disso nem por um segundo.

Faço o esforço consciente de seleccionar a informação que consumo. Estou farta de mensagens, áudios e vídeos no Whatsapp e no Facebook a ser augúrio da desgraça e a procurar que entremos em pânico e a virar o país x contra o y. Estou farta de irritações e críticas desprovidas de argumentos, numa situação em que era absolutamente impossível alguém estar preparado, e em que é ainda mais impensável achar que alguma solução é perfeita. Estou farta de ver números, mitos e queixas atiradas ao ar por quem provavelmente não cumpre sequer o que é pedido - e que, a bem dizer, é tão pouco. É só não atrapalhar. Agradeço e admiro mais a cada dia que passa quem mantém o mundo a funcionar.

13 Qualidades

Tinha o título deste post em rascunho há imenso tempo, sem nunca ter tido a coragem de começar a escrevê-lo. Quando a Carolina nos sugeriu este tema para o Desafio 1+3 pensei que seria fácil desenvolvê-lo. Afinal, já fui aprendendo a gostar de mim de forma a conseguir escrever sobre 13 qualidades que identifico na pessoa em que me tornei - pensava eu. No entanto, parecia sempre tudo mais interessante, mais fácil, mais importante. Ou, para dizer a verdade, menos assustador. Mas lá escrevi 8. E assim ficou, meses, parado nos rascunhos.


A culpa "cristã" que ainda temos, culturalmente falando, impede-nos, de um modo geral, de reconhecermos aquilo que vemos de bom em nós. Aceitar um elogio com um "obrigada" e um sorriso no rosto ainda é visto por muitos como sinal de que somos presunçosos. Então o que dizer da reacção ao "eu sou bom -nisto-/bonito/forte/etc..": é quase dado como altivez pura e dura. Mas, por um mundo em que tenhamos o direito a reconhecer em nós aquilo que gostamos, é importante começarmos por algum lado.

Assim sendo, - respira fundo -, cá vai!