Mulher

Agradeço todos os dias a quem lutou para que eu pudesse ser reconhecida pelo trabalho que faço. A quem lutou para que eu vote. Para que eu use calças. E saias. Para que eu tenha uma voz. Para que eu não seja obrigada a ser "recatada" e "do lar". Para que eu possa escolher se quero ser do trabalho, da família, ou das duas coisas.


Tenho ao meu lado um Homem que não "ajuda": faz a sua parte. Um Homem que nunca teve inseguranças por algo que eu fiz, e que nunca me puxou para trás só para parecer mais forte, melhor. Um Homem que me respeita - sem tretas de eu ser uma princesa, sem floreados ou condescendências. Respeita-me por ser eu. Uma pessoa.

No entanto, reconheço o meu privilégio. 

Só porque eu sinto que tenho voz, não quer dizer que não haja mulheres que se vêm silenciadas somente por serem, precisamente, mulheres. Só porque eu recebo um salário que está em linha com o dos meus colegas, não quer dizer que não haja quem receba menos do que os seus companheiros, homens. Só porque eu ando sozinha, não quer dizer que não me sinta insegura e, ocasionalmente, veja essas inseguranças confirmadas. Só porque eu saio à rua sozinha à noite, não quer dizer que não tenha medo - e o molho de chaves que levo espetado entre os dedos e que já estive quase a usar não me deixa mentir. Só porque eu não sou escrava em casa, não quer dizer que não haja muitas mulheres que continuam a prolongar, promover, e a sofrer esta escravatura socialmente aceite. Só porque eu tenho um Homem ao meu lado, não quer dizer que não haja muita - MUITA - gente que tem autênticos bichos em casa. E bichos na polícia e nos tribunais que defendem os primeiros bichos.

Não, ainda não estamos tod@s no mesmo patamar, por muito que haja quem diga que sim. Neste Dia da Mulher leiam as notícias, leiam as estatísticas, importem-se, façam-se ouvir e respeitar. Hoje e todos os dias. Se eu preferia que não fosse necessário haver um dia dedicado a nós? Preferia. Mas infelizmente é um mal necessário.

Ah. E não me venham dizer que as feministas são todas umas histéricas, camionistas, mal fodidas, porque eu sou menina para vos atirar com um batom à cabeça (e se fossem, atirava na mesma).

Feliz Dia da Mulher?

Em serviços mínimos

Ufa. Ufa ufa ufa. Dias loucos, de loucos, que só um louco aguenta. Ou uma louca, neste caso! Lá ando eu, como vos confessei neste post, a correr a mil, a fazer muito e com pouco - perto de nenhum - tempo livre. Mas, verdade seja dita, faço-o por gosto. E quem corre por gosto, não cansa. Mas precisa de gerir o esforço! E até ao dia 31 deste mês, dia da última exibição de Seis Personagens à Procura de um Autor, a peça que a in skené levará a cena, estarei portanto em serviços mínimos.

Coat - Vintage | Jeans - NetJeans | Boots - Mango | Sweater - Lefties | Earrings - @thrifting_em_portugues
Fotografia - José Santos



Esta segunda-feira foi dia de folga. Precisava de aproveitar esta ponte, deixar a cabeça descansar, para regressar ao trabalho, à in skené, ao blog, com ânimo e motivação. Às vezes é preciso tempo para respirar. E para uma francesinha há muito prometida e que me deixou mutio feliz :p

Retratografia | Recreate

Regressa o Retratografia: este mês, o desafio era recrear um (ou mais!) retratos, sem limitações de autor, tema ou época. Tentei fugir um pouco da minha zona de conforto e explorar a modelação de luz e retratos que não fossem para mim "escolhas imediatas" mas que, ainda assim, me deixassem com vontade de os recriar.

Pedi, por isso, à minha Mi e ao Zé que fossem os meus modelos. Um feminino e um masculino. Um quadro e uma fotografia. E depois juntei-me à mistura, com uma ode à rainha dos auto-retratos (com uma foto que nunca foi um auto-retrato).

Girl with a Pearl Earing 


A Rapariga com o Brinco de Pérola tem em mim o mesmo efeito que se diz ter a Mona Lisa - quero descobrir quem ela é e o que lhe passa pela cabeça. Este quadro de Johannes Vermeer joga com a luz e a sombra de um modo muito interessante e que me levou imediatamente a querer usar as nossas luzes do palco de ensaios para criar este efeito, pelo seu carácter dramático e forte. Já a Mi foi a modelo perfeita - obrigada por te emprestares a esta miúda misteriosa! Entretanto, sugiro também que espreitem esta fotografia que me apareceu nas pesquisas - um resultado lindíssimo de um jogo de recriação semelhante.


Auto-retrato: Vaidade ou Expressão?

A questão, para mim, está no "porquê" destas imagens - e até que ponto esta questão importa realmente.

Há uns dias discutíamos num ensaio alguns fotógrafos mestres na arte do auto-retrato - ao ponto de alguns deles trabalharem exclusivamente com este tipo de fotografia. E alguém soltou, em tom de brincadeira, um "esta é um bocadinho narcisista!". Mas esta brincadeira deixou-me a pensar: porque é que fazemos estas fotografias? E, numa onda mais relaxada, porque é que tiramos selfies? E no que é que são diferentes?

Selfies vs Auto-retrato?

Tod@s conhecemos alguém que vive para tirar selfies e que as publica todos os dias nas redes sociais. E tod@s conhecemos alguém que nunca as tira e até abdica de bom grado entrar nas de grupo. Na prática, considero que são uma forma quase fast-food de auto-retrato, uma expressão de quem somos e de como nos sentimos num dado momento, no imediato. E isto diz muito sobre a nossa auto-estima: para o bem e para o mal. Há já psicólogos que afirmam que as selfies são responsáveis pelo agravamento de dismorfias corporais e estados obcessivo-compulsivos relacionados com a imagem, que muitas vezes levam a que julguemos real o que vemos nos ecrãs - nunca se esqueçam que as lentes das câmaras causam distorção da imagem! Mas não entremos em detalhes sobre redes sociais porque isso daria toda uma nova discussão. A minha questão é: qual a diferença entre uma selfie e um auto-retrato?

I've got racing stripes

Sabem aquelas pessoas irritantes que têm sempre alguma coisa para fazer e, se não têm, encontram uma forma de passar a ter? Prazer, eu sou a Joana e sofro desse mal.

Trousers - Bershka | Parka - Zara | Sweater - Mango | Shoes - Lefties
Fotografia - José Santos


Um dia bom para mim é um dia em que fiz imensa coisa, mas sem grande correria para fazer tudo. No entanto, por vezes o "querer fazer tudo" causa uma de duas situações - normalmente, as duas: chegar sempre atrasada e andar num stress desmedido porque já é tarde e já devia ter saído/começado/acabado/etc.. No entanto, não sei viver de outra forma. E nisto lembrei-me deste post dos Palavra-Padrão lá no Instagram.

Quando a ficção é real: 1984 e a Coreia do Norte

Retratografia | Night Owl

Novo ano, novo projecto, novos objectivos e desafios. Foi de coração aberto e cabeça no céu que abracei o desafio que a Catarina nos propôs: Retratografia. Um tema por mês, e um desafio: dedicarmo-nos aos retratos, tendo como base esse tema. Como podem imaginar, eu não podia deixar passar esta oportunidade de finalmente ter uma desculpa para sair da minha zona de conforto e fazer o que já quero fazer há anos!

SOFIA, A MINHA NIGHT OWL PREFERIDA

Começamos em grande: o primeiro tema que a Catarina nos propôs foi Night Owl. Noite? Óbvio. Mas por onde ir? Para mim também foi óbvio: convidei imediatamente a night owl da minha vida, a minha querida Sofia. Dona de uma capacidade impressionante de trabalhar e ler noite dentro, até horas que eu não entendo como são humanamente possíveis. Já lhe tinha prometido umas fotos há meses, e esta foi a desculpa perfeita para a captar no seu ambiente.






If it doesn't spark joy, isso não significa que é lixo

Ainda estava em casa dos meus pais quando me rendi à febre da Marie Kondo - já lá vão uns tempos, portanto. Reconheço que há todo um lado espiritual que me faz uma certa confusão, porque, apesar de dar valor aos meus pertences, não consigo reconhecer uma "alma" em todos eles. Ainda assim, julgo ser uma boa técnica para termos mais atenção ao que já temos e ao que nos faz falta.

O Método KonMari

Se não sabem do que falo, Marie Kondo é uma "expert em arrumação", se assim lhe podemos chamar, e criou um método que nos guia pela "destralhagem" e organização dos nossos espaços e objectos: o método
KonMari. Neste momento anda por aí espalhada uma febre de KonMari porque a Netflix fez com ela uma série bem ao estilo de hoarder americano, mas mais realista - não vemos casas assustadoras, cheias de lixo, mas sim pessoas normais, famílias que não sabem por onde começar a tratar do caos da sua casa nem como a manter em condições. Relatable, portanto.

De uma forma muito geral, o método KonMari procura fazer-nos reflectir sobre o que devemos ou não manter, e como. Começando pela roupa, passando depois aos livros, papéis, komono (que são as tralhinhas diversas na nossa casa) e, por fim, aos itens sentimentais, este método diz-nos que devemos juntar todos os nossos pertences em cada categoria e de seguida, segurando cada um, perguntar-nos se nos "traz alegria". Does it spark joy? Se sim, guardamos - uma casa para tudo, e tudo na sua casa. Se não, agradecemos e damos um novo destino ao item.


E qual é o destino do que não nos traz alegria?

Tu abrigo es mi abrigo

Longe vão os dias em que achava que havia "roupa de homem" e "roupa de mulher". Talvez devesse ter avisado o Zé: a partir do momento em que uma peça de roupa está em minha casa, eu sinto-me no direito de a usar. Bidas! E quando falamos de um casaco de couro que deve ter tantos anos quanto eu, melhor ainda.

Coat - Stolen from Zé :p | Sweater - Rosegal | Scarf - Zara | Jeans - Lefties - Shoes - Vintage
Fotografia de José Santos


No dia em que o Zé ficou com este casaco porque o Pai dele não o usava, eu avisei logo: olha que vou dar umas voltas com ele. Risada do costume por eu estar sempre a topar o que pode ter uma nova vida, mas a verdade é mesmo essa: quantas são as peças que temos, autênticas relíquias de família, que ficam paradas no armário ou porque são antigas, ou porque são de mulher ou de homem, ou porque temos outra parecida - e provavelmente de qualidade muito inferior -... é dar uma nova vida à roupa, gente! Agradece o guarda-roupa, a carteira e o ambiente!

Quase-maratona de filmes: a fechar o Movie 36

Agosto, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro = 15 filmes. E não é que com uma pequena batota ao estender a coisa para Janeiro, quase que chegava ao objectivo do Movie 36? Fiquei-me pelos 11 (32 no ano inteiro), mas acho que não é muito mau. Vamos a uma maratona? Vamos lá.

TL;DR? Então aqui fica a lista dos filmes, programas e documentários de que vou falar:

| Coldplay: A Head Full of Dreams |
| Bird Box |
The Truman Show |
BlacKkKlansman: O Infiltrado |
Bohemian Rhapsody |
Johnny English Volta a Atacar |
Jeff Dunham: Relative Disaster |
Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald |
Trevor Noah: Afraid of the Dark |
Trevor Noah: Son of Patricia |
The Dictator |


Coldplay: A Head Full of Dreams

Este filme foi uma montanha russa de sentimentos. Foi impossível evitar os arrepios provocados por cada acorde deles quando putos, pela música simples, crua e própria de quem ainda está a crescer e tem o sangue na guelra. Foi também impossível evitar um certo cringe ao ver as explosões de confetti e borboletas a cada crescendo nas filmagens dos concertos mais recentes, embora goste das músicas. (Um dia destes falo-vos mais desta minha faceta de velha do Restelo...) Dito isto: se gostam de Coldplay, vejam - quer seja porque os adoram desde sempre ou por homenagem à vossa fase favorita deles. É um bom documentário, tem boa música, e está muito bem montado.


Bird Box

Sobre este vou ter que falar depois com maior detalhe, mas há algo que vos posso dizer já: vejam e preparem essas unhas, porque vão roê-las! Estive on edge todo o filme, e a Sandra Bullock fez um trabalho brilhante na criação de uma personagem genuína e completa: não é 100% boa nem 100% má. É uma pessoa. O hype justifica-se!


The Truman Show

Um clássico que só agora vi - e ainda bem que vi. Trata-se de uma comédia, sim, mas com um fundo de drama que nos faz estar em constante atenção durante todo o filme. Este filme gira em torno da vida de Truman Burbank, que ele julga ser a de uma pessoa normal mas que na realidade é uma vida encenada num gigante estúdio e transmitida na TV. Faz-nos pensar sobre os objectivos que definimos no dia-a-dia e na nossa relação com os outros.

Jiji à Lyon: Em viagem, em low-cost, mas a comer bem!

Sabiam que Lyon é a capital gastronómica de França? Pois, nem eu sabia até lá ter ido. E adivinhem lá...fui muito feliz neste campo. E noutros, se quiserem ir espreitar as restantes publicações sobre Lyon!


Na Rua...

Não faltam bancas, quiosques, cafés e boulangeries para parar e comprar qualquer coisa para trincar.

Por acidente, demos com o Marché Saint-Antoine, um mercado de produtores repleto de mercearias, legumes e fruta de aspecto delicioso. E, claro, o ocasional petisco à venda também. Para uns snacks saudáveis e também para umas refeições mais leves é perfeito (os meus amigos vegetarianos fizeram as suas delícias aqui!). Todos os dias excepto segundas-feiras, das 6h às 13h.




Subenshi: Impróprio para Cautelosos

Quando vi este tweet da Inês lembrei-me: ainda não falei por cá da experiência gastronómica mais próxima da "refeição mistério" que tive nos últimos tempos! Ainda durante o Verão, tive o prazer de ser convidada pela Zomato para experimentar o - na altura novo - menu do Subenshi, na Baixa do Porto: o BenÁsia - Tasca Asiática.

O Subenshi

A cozinha japonesa é aqui a rainha, seja na forma de sushi ou de outras especialidades. Num restaurante localizado num edifício tipicamente portuense, com o seu pé direito alto, azulejos e tectos lindíssimos, e o aspecto de uma casa transformada em espaço público, encanta só de ver. Os espaços são distintos: o rés do chão é dedicado à sua Tasca Asiática - BenÁsia - e bar, e os dois pisos superiores e esplanada (com uma vista linda sobre o jardim da Cordoaria) são dedicados ao restaurante. Mas...e a comida? Já lá vamos!



Youtube para os Junkies da Fotografia

Que o Youtube é uma fonte infinita de conhecimento já não é surpresa para ninguém. Que todas as áreas têm óptimos criadores de conteúdo que nos podem inspirar e ensinar imenso também não. E na área da fotografia, sejamos nós mais ou menos amadores da e na coisa, a oferta não tem fim! Mas num meio tão cheio de conteúdo novo, onde está aquele que procuramos?

Deixo-vos então alguns dos meus canais de Youtube preferidos de momento nesta área - e se a fotografia não é a vossa cena, em breve vêm cá parar mais alguns de outras áreas - stay tunned!

Peter McKinnon: O Rei da Edição @ Instagram

Peter McKinnon ou, como eu gosto de lhe chamar, O Rei Disto Tudo. Nem sequer tem o estilo de fotografia que eu gosto de fazer - o Peter é muito mais radical, urbano, sharp e edgy do que eu, mas sabe editar vídeo e fotografia como ninguém e as imagens dele são estrondosas. Confesso, este homem deixa-me com o bichinho de ingressar no vídeo também. Se tiverem tempo, espreitem a sua última criação: The Bucket Shot, que nos conta a história complexa de como ele perseguiu uma única foto.

Sorelle Amore: Inspiring Queen @ Instagram

Se exploram este mundo da fotografia no Youtube, de certeza que já conhecem a Sorelle. Rainha das Advanced Selfies, da genuinidade, da sinceridade, dos sorrisos sem fim, e de fazer acontecer. O conteúdo da Sorelle inclui poses, dicas, truques fotográficos, mas também viagens e reflexões interessantíssimas e que, não posso deixar de o dizer, já me fizeram olhar muitas vezes para a vida de uma forma diferente. Quando ela escrever um livro, eu quero ler. Just sayin'. 

Christopher Frost: Review Extravangaza

Christopher Frost: o rei da reviews de objectivas, dono de um sotaque delicioso e de um detalhe fantástico nas avaliações que faz. Antes de gastarem dinheiro, aconselho a darem uma espreitadela ao que ele possa ter a dizer sobre aquilo que vos interessa.