Virei plantmana: a história de um vício e como parar de ser plantkiller

Corria o belo mês de Outubro de 2017 quando fui viver sozinha. Foi aí que começou o meu caminho rumo à selva que é hoje a nossa casa. Os primeiros meses - arriscaria até dizer o primeiro ano - foram, digamos... desastrososos. Absolutamente desastrosos para as minhas plantas, embora a vontade de querer ter sucesso fosse grande. Portanto, fear not: se eu consegui dar a volta ao meu black thumb e torná-lo num green thumb (ou um ligeiro vício, vá), qualquer pessoa consegue!



Sendo honesta: fui na onda que a pandemia nos levou. Já tinha o bichinho em mim, mas foi preciso chegar o confinamento para eu aprender, de uma vez por todas, o que estava a correr mal. A plantmania que assolou o mundo trouxe-me mais fontes de informação - olá @tripeirinha, Sofia, a deusa tripeira das plantas! - e mostrou-me qual era o meu modus operandi na minha onda de matança. Se puderem reter um conselho dest post, que seja este:


 REGAR SÓ QUANDO O SOLO ESTÁ SECO!


Vamos simplificar. Se tiverem conseguido aguentar este ano e meio sem ser apanhad@s pela febre das plantas, mas ainda quiserem apanhar a onda, ficam as minhas 5 melhores dicas para aguentar as bitxas vivas:

Sou de luas

Veio a vontade de escrever, de regressar. Afinal este bichinho nunca me abandona mesmo quando o meu lado racional diz "que perda de tempo" - há um outro lado qualquer de mim que se sente abandonado, no meio da correia do dia-a-dia, e que sente que merecia mais atenção: aquele meu lado que faz as coisas só pelo prazer de as fazer, sem um objectivo em concreto, sem um propósito que não seja o de criar e partilhar só porque posso. O que o salva é que, de quando em vez, lá me lembro que ele existe. Não quer dizer que volte com a mesma frequência, ou com qualquer frequência que seja, a não ser a que me apetecer, mas é bom não deixar que aquilo de que gostamos ganhe demasiado pó.


Bem sei que já ninguém tem tempo para ler os devaneios do outro. Ou para se preocupar com o que vai na cabeça do outro. Ou talvez seja mesmo uma necessidade de nos focarmos em nós mesmos quando o mundo à volta está um caos - que está. Mas aqui fica o meu devaneio, só pela vontade de o despejar em algum sítio e talvez vos entreter por uns minutos.




Nos últimos meses houve uma casa que se tornou lar, houve afinar de prioridades, houve ausências, regressos, desilusões, sorrisos e certezas, houve desafios que aceitei com medo (mas feliz) e outros que aceitei por sentido de dever (e que tenho que aprender a gerir). Há pensamentos sobre o futuro próximo e a longo prazo, onde estou e onde quero estar. Isto deve ser mal de millenial.


Falta-me olhar mais para mim, para os meus, dar mais atenção ao que me diz respeito e deixar estar sossegado aquilo que não me é pedido. Ai coitadinha de mim! - não, não é nada disso, sou eu que me ponho nesta posição - defeito de fabrico. Um lembrete por escrito pode ser que funcione melhor, pode ser que resulte.


Entretanto, tenho mesmo que dar atenção a este meu lado. Há uns dias a Inês publicou uma story com um pequeno parágrafo sobre deixarmo-nos criar sem filtro, sem expectativas, sem um resultado em concreto em mente, e eu, que nem sou dada a "inspirações", senti aquilo como uma pedrada. Era para mim. Não era para mim como "ser especial que sabe fazer coisas", não, era para mim como ser humano que se deixou cair na rotina e na mesmice. Às vezes esqueço-me de como é bom fazer algo só porque sim. 


Um lembrete por escrito pode ser que funcione melhor, pode ser que resulte. 

Veremos. Olá!


Jiji à Suisse: As cidades saídas dos contos

Neste marasmo, em que o tempo parece não passar e, simultaneamente, parece passar rápido demais, os planos ficam virados do avesso. Andamos por cá num reboliço para tentar perceber quando poderemos voltar à Suíça - a família cresceu e queremos muito poder finalmente conhecer a nova piquena que nos veio alegrar os dias! No entanto, tod@s sabemos que neste momento as coisas não estão famosas, e, por isso, a única forma de viajar é através da memória. Revisitemos então o ano de 2018.

Mürten, La Neuveville, Neuchâtel, Berna. Visitamos algumas cidades em torno da região onde ficámos, cada uma com a sua própria magia, e todas elas lindíssimas.

Segue-se uma avalanche de fotos, e uma dose um pouco mais pequena de informação - porque a memória não é tão boa como o arquivo fotográfico, infelizmente!

MÜRTEN

Começo pela cidade que me surpreendeu por ser tão pequena e, ao mesmo tempo, tão rica: Mürten parece saída directamente de um conto de fadas. A sua zona histórica está pejada de casas com fachadas melancólicas e coloridas, tão bem cuidadas que quase diria que deve haver um qualquer exército de gnomos que toma conta delas durante a noite - ou então são mesmo os suíços que, de facto, são tão minuciosos e cuidadosos como conta a lenda. Conta ainda com uma muralha que, não sendo muito alta, tem a altura perfeita para ter uma vista lindíssima sobre a vila e a natureza envolvente ao mesmo tempo que nos sentimos inseridos nela. Se estiverem na zona é, sem dúvida, um local a visitar e a percorrer com calma e olhos e coração abertos!







LA NEUVEVILLE

Paramos em La Neuveville para almoçar num banco junto ao lago e, sem o sabermos, foi a decisão acertada. Encontramos uma vila igualmente bonita, igualmente pitoresca, mas com mais vida nas veias, embora mais pequena do que Mürten: famílias com miúdos a brincar nos parques, o movimento normal de uma vila em zona de passagem, e comércio em lojas carregadas de flores e um ar convidativo. Perdemo-nos pelas ruelas quase sem dar pela passagem do tempo, e o que seria só uma paragem para almoço tornou-se em mais uma caminhada em que os olhos saltavam de pormenor bonito em pormenor bonito.

Os podcasts que me enchem os ouvidos

Não sei bem quando isto começou, mas a febre dos podcasts atingiu-me de forma séria: se há tarefas para fazer que não puxem pela cabeça, ou tempos "mortos" para preencher, eu vou ouvir um podcast. Já fui a pessoa que tinha playlists com música para tudo, mas agora sou a pessoa que tem um podcast para - quase - tudo (porque quando estou a fazer algo que me faça pensar não consigo estar verdadeiramente atenta ao que estou a ouvir).


Sem mais demoras:

deixo-vos as minhas sugestões de bons podcasts que publicam regularmente!




Quando estou a tratar da casa (e enquanto andei em obras!): 


FUSO

O podcast da Mariana aka Bumba na Fofinha não podia ser de outra forma: casual, informado e com humor à mistura - se assim lhe apetecer. Gosto muito deste seu lado menos ensaiado e mais "freestyle", em que os temas do dia são quase "desabafados", sempre com mente e coração abertos, e que nos deixam com um sorriso no rosto - nem que seja por tod@s partilharmos da sua desgraça do dia. Começou com a sua estadia em Nova Iorque - daí o nome - mas continuou (e ainda bem!) e agora dá-nos o prato da semana com bom humor e bom coração.


SimplyPodLogical

Lembram-se da rapariga que ficou famosa no Youtube por causa #polishmountain? É mesmo essa! A Cristine e o Ben, o seu namorado, são #couplegoals para mim: descontraídos, sem dramas nem clickbaits, falam sobre tudo, mas sempre com cabeça e com a capacidade de dizer que não sabem quando, de facto, não sabem. Discutem política, economia, vernizes das unhas, pop culture, tradições, tudo e mais um par de botas, com boa disposição e uma capacidade rara de manter os pés na terra quando são "estrelas" da Internet. 


Desabafos de Ano Velho e desejos de Ano Novo

Se um dia alguém me perguntar como foi 2020, desconfio que a resposta será sempre um olhar embasbacado, seguido de um "eu xei lá, menina!" - na melhor das hipóteses, e espero nunca mudar de opinião!


Ao mesmo tempo que pareceu demorar um século a passar, também voou. Ontem apercebi-me de que estive quase metade do ano em teletrabalho. Estive com os meus amigos uma ínfima parte do tempo que queria, e sobre o tempo que estive com a minha família... prefiro nem falar. Temos o nosso ninho há mais de dois meses, mas ainda não conseguimos mostrá-lo aos nossos amigos - e raios, nem sequer conseguimos montar a casa em condições porque tudo tem uma logística muito mais complicada e queremos evitar riscos desnecessários. Tenho plena consciência de que sou "histérica" para muitos dos que me rodeiam, embora não me tenha fechado ao mundo, mas prefiro pecar por excesso do que arrepender-me de pôr os meus em risco. O respeito que devo a quem está a lutar contra isto e a vontade de proteger a saúde é maior do que o FOMO.


Por outro lado: conseguimos cumprir uma meta importantíssima na nossa vida, temos saúde, tudo está bem nos nossos trabalhos, temos amor, temos novo membro na família, e viva a tecnologia que nos permitiu manter o contacto, mesmo à distância, e até nos deixou fazer algumas coisas giras nos nossos projectos, como workshops e criações na in skené, e aprender imenso este ano. Há uma vacina, há SNS, há apoio social, há segurança.



Tenho plena consciência de que quase tudo o que escrevo recentemente de mais pessoal tem uma névoa por cima, mas juro - juro! - que não estou pessimista. Mesmo. Os ciclos repetem-se, e calhou-nos ficar com a pandemia no nosso leque de histórias para contar a netos - que isto passe depressa para podermos contar esta história sem ficar com saudades de ninguém a apertar o coração, é o que peço. E, a quem já perdeu alguém, só me resta deixar um grande abraço. Isto é uma merda, é uma grande merda. 


Mudamos de ano, mas não mudamos de vida - não tenho ilusões, não espero que no dia 1 de Janeiro algo de mágico aconteça para ficar tudo bem. Mas, e este é um grande, gigante, enorme mas, há esperança! Esperança de que daqui a um ano já nos possamos abraçar e festejar 2022 em condições (porque apesar das vacinas ainda vamos demorar até poder largar as medidas de prevenção todas). Veremos. Fingers crossed! E máscaras e abraços virtuais e a certeza de que quando eles vierem a sério vão ser muito mais apreciados!


Que 2021 seja bem menos eventfull, que tenha menos surpresas, e que as que venham sejam boas. Que as pessoas se eduquem e se informem com base em factos e não em opiniões desinformadas, que votem de acordo com a verdade e não com base em populismos, que se vacine com vontade, que haja sossego e respeito pelo outro, e que possamos abraçar. São os meus desejos para 2021: abraços!


A cada um de vocês:

um excelente 2021 - que seja BEM melhor do que o ano que agora acaba!