Fórum de Ideias | Síria

Não preciso de muitas palavras para este post. Já tod@s vimos as notícias, as imagens espalhadas pelo facebook - imagens que me quebram o coração mas que, por respeito aos afectados, não vou partilhar aqui. E sim, também eu me junto ao "rebanho", mas será que isso é mau quando é quase a única coisa que podemos fazer? Usar a nossa voz para tentar que quem de facto tem poder intervenha de alguma forma e pare com o horror. Embora seja importante ver as imagens para nos abrir os olhos, há sempre mais alguma coisa que podemos fazer.

Imagem EPA
Tomo a liberdade de copiar na íntegra um post da One Woman Show. Ela esteve junto de alguns dos 5 milhões de refugiados, junto de quem fugia do terror. Ela viu com os próprios olhos o que a guerra pode fazer. E se é difícil para a maioria de nós estar no terreno, que pelo menos que tenhamos consciência do mundo em que vivemos e que aproveitemos esta era digital para juntarmos vozes. A história repete-se...em versão TL:DR, se quiserem agir:




E-mail do Ministro dos Negócios Estrangeiros: gabinete.ministro@mne.gov.pt
E-mail para apelo às Nações Unidas : portugal@un.int
Deixei o texto que enviei nos e-mails no fim deste post, se quiserem copiar ou usar como base.

"É um post LONGO e a maioria está aqui para ver como seria se fosse uma celebridade, mas quem me conhece sabe que esta é uma questão que faz parte da minha vida e que só gostaria de um dia conseguir exprimir tudo isto cá dentro para quem quiser saber.


Numa altura em que a guerra na Síria parece resolvida porque não aparece cá nas TV's, ficámos a saber que se calhar não.

Mas mais vale dizer de uma vez por todas que nos estamos a cagar. A sério. Ninguém quer saber e pronto. Fica menos bem e ganha menos likes no insta, mas pelo menos não se perde tempo a fingir.


Resumo europa-américa, nem que seja para fazerem um brilharete num jogo de trivial pursuit: Era uma vez, em 2011, um tipo chamado Bashar al Assad achava que vivia numa monarquia, e com elevadas taxas de desemprego, corrupção e afins, achou que quem pedia a sua demissão e eleições livres eram estúpidos que cheiravam a chulé e que o recorde de impopularidade se calhar dava um péssimo aspecto lá fora. Começou a perseguir pessoas e a matar activistas, porque é sempre uma boa maneira de resolver coisas como gente crescida. "Não saio, não saio, não saio". Já aqui dava para ver que tinha muito em comum com o que viria a ser o seu bff Putin. Isto fez com que em Julho de 2011, milhões de pessoas saíssem à rua para meter o Assad no banquinho do castigo. A ver esta confusão toda, apareceu o Daesh e a frente Al Nusra que viram neste forrobodó instalado uma excelente oportunidade para a sua agenda. A Rússia, que já no Afeganistão em 79 tinha visto que a terraplanagem era uma excelente exportação, percebeu que podia matar as suas saudades do federalismo nestas coisas. E a modos que está desde 2015 a ajudar o Putin a ceifar pessoas indiscriminadamente, com a desculpa de estarem a tratar da saúde aos maus da fita - maus esses que compram armas ao estrangeiro embra não tenham sequer um avião para mandar fuliminantes- bombardeando-as consecutivamente há anos com total impunidade ou como ele diz ajudar a "estabilizar" o governo. Se dizem que andam atrás dos terroristas, então o que estãoa dizer é que os hospitais, orfanatos e as escolas são terroristas? O Governo quer muito começar um país do 0 e que não quer ter assim tantas pessoas para governar.


Isto é um faroeste tal, que por exemplo: depois de várias investigações independentes terem concluído que o massacre químico foi feito por forças governamentais assobiaram todos para o lado, ou ainda depois de se ter oficializado o desaparecimento do daesh em terras sírias (Kudos para os Curdos), que era aquela desculpa incrível para andar a rebentar pessoas, os chefes do mundo decidiram: YOLO. Pesquisem por Aleppo, Ghouta, por Idlib, a Turquia e a sua expressão de psicopatia em Afrin e por Arbin. Os números são tão altos, que a ONU deixou de contar mortos. Isto tem de conhecer culpados, que têm de ser chamados à justiça. E andamos todos a comer gelados com a testa porque queremos.


Milhões de mortos. Milhões de deslocados. Sírios, refugiados palestinianos do conflito israelopalestiniano pela ocupação do território, que eram eles proprios já refugiados em campos na síria. O que se passa na Síria não é uma guerra civil. É uma guerra mundial, é um massacre, é uma crise humanitária que vê os subsídios para lidar com isto cada vez menores..tão envolta em politiquices que os de gravata usam pinças para lidar com isto, enquanto as vítimas usam pernas para correr, gritos para chamar e orações para aspirar. Percebem? Quem se lixa são sempre as pessoas. Pessoas essas que se ficam é o que sabemos, se fogem é o que vemos.


Mas porque eu sei que só as pessoas informadas conseguem agir para mudar alguma coisa. Vamos tentar:


Mandem emails ao Ministro dos Negócios Estrangeiros para agir sobre esta carnificina. Faz parte do trabalho, não é só visitas com direito a pulseira de all-included: gabinete.ministro@mne.gov.pt


Façam apelos às Nações Unidas : portugal@un.int.


Apoiem colectivos como os Syria Civil Defence Idlib The WhiteHelmets, os Doctors Without Borders/ Médecins Sans Frontières (MSF) Syria Charity que são dos únicos que estão no terreno. Ajudem outros que se têm dedicado aos que fogem da morte como a IRIS - Integrated Refugee & Immigrant Services, a Karam Foundation ou a يدا بيد من أجل سوريا.


Participem em iniciativas como esta, de escrever uma carta a uma criança: http://www.anyrefugee.org/


Protestem em frente da embaixada Russa, partilhem tweets, vídeos e fotos. Falem nos vossos jantares de amigos, de família, especialmente com aquele tio que acha que os refugiados são um nojo quando ele próprio teve de fugir de uma ex-colónia pela guerra civil.


Ou se não podem fazer nada disto, o não serem chonés do costume sobre esta questão já adianta muito trabalho.


Com isto, nunca poderão dizer que não sabiam, nunca viram ou não sabem do que se trata. Agora, o que cada um faz, é com cada um, seja isto em particular ou outra coisa qualquer. Tu viste isto.


Circula aí a frase "Se Paris merece um minuto de silêncio, a Síria merece que o mundo inteiro se cale para sempre". Não podia discordar mais. Merece que o mundo inteiro grite e um grito tão lá do fundo que não há de haver medo que nos cale."


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gabinete.ministro@mne.gov.pt
Assunto: Apelo Sobre a Situação na Síria

Exmo. Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, 
Prof. Dr. Augusto Santos Silva, 

Em virtude dos recentes acontecimentos na Síria venho apelar a que, de todas as formas que lhe seja possível, intervenha junto de todas as instituições que possam pôr termo ao massacre a que assistimos e que possam obrigar a que se cumpra o cessar-fogo imposto e necessário. 
A ausência de acções concretas e incisivas das autoridades mundiais perante o bombardeamento de Ghouta Oriental e a consequente morte inexplicável e injusta de milhares de civis inocentes, juntamente com todos os ataques que têm vindo a ser feitos pelas forças de Bashar al-Assad que tiraram já a vida e o abrigo a centenas de milhares de pessoas desde 2011, é absurda e inaceitável.

Agradeço a sua melhor atenção.

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portugal@un.int
Assunto: Apelo Sobre a Situação na Síria

Exmo. Sr. Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas,
Eng.º António Guterres,

Em virtude dos recentes acontecimentos na Síria venho apelar a que, de todas as formas que lhe seja possível, intervenha junto de todos os líderes mundiais e que use do cargo que lhe foi confiado para que se possa pôr termo ao massacre a que assistimos e que possam obrigar a que se cumpra o cessar-fogo imposto e necessário. 
A ausência de acções concretas e incisivas das autoridades mundiais perante o bombardeamento de Ghouta Oriental e a consequente morte inexplicável e injusta de milhares de civis inocentes, juntamente com todos os ataques que têm vindo a ser feitos pelas forças de Bashar al-Assad que tiraram já a vida e o abrigo a centenas de milhares de pessoas desde 2011, é absurda e inaceitável.

Agradeço a sua melhor atenção.

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Considerações políticas à parte, é certo que não saberia dizer o que pode ser feito. Mas para isso é que temos as instituições que regem o Mundo. Que impõem cessar-fogos, sanções e tudo mais. Que deveriam, pela via da diplomacia, evitar os estimados 470 mil mortos numa guerra por poder e por petróleo. Se é certo que o Estado Islâmico teve a sua quota-parte de culpa nisto, também é certo que essa desculpa já não cola.

Para um resumo de toda a situação, aconselho a leitura deste post da BBC, onde são relatados alguns factos e explicadas algumas questões políticas e cronológicas. Cada uma destas acções vale o que vale, mas sempre é melhor ser um guerreiro das redes sociais do que ficar impávido e sereno, fazendo de conta que nada se passa. Se temos ferramentas, ao menos que as usemos.


7 comentários :

  1. Ainda não tinha lido não por desinteresse mas sim porque não tenho andado pelo blog, e só agora vi a publicação no face.
    Embora já tenha assinado as petições que consigo, enviado mails, chateado as pessoas à volta a agir e abrir a pestana vou partilhar este texto que está mesmo mesmo muito bom e cheio de boas sugestões. Não conhecia o envio de cartas para as crianças, vou participar pode ser se consiga um sorriso ao menos.
    E de uma activista para outra, obrigada por não te calares.

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    1. Sofia <3 obrigada, a sério! Por agires e pelas tuas palavras de incentivo. Não me chamaria activista - porque na prática faço muito pouco - mas nem que seja por uma questão de egoísmo e de me sentir bem com a minha consciência, prefiro falar das coisas do que fingir que nada se passa. Obrigada <3

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  2. Joana, parabéns pela tua atitude incrível. Vou fazer o mesmo, genuinamente. És um ser humano lindíssimo, por dentro e por fora <3

    THE PINK ELEPHANT SHOE

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    1. Oh Cátia <3 sinto que isto é pouco, para te ser sincera - num mundo à distância de um click, é tudo tão fácil, e por isso é que publiquei aqui. Mas obrigada por agires <3

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  3. ������ Porque às vezes as pequenas coisas podem fazer toda a diferença.

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  4. Boa noite, demorei a reagir a este post, mas hoje finalmente consegui fazê-lo. Pedi o auxilio da minha filha de 4 anos e dos seus colegas de sala e enviei desenhos destas crianças pedindo que seja tomada acção sobre este assunto. Parece tão pouco o que podemos fazer, mas não será por isso que deixaremos de tentar! Obrigada por nos ajudar a agir.

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    1. Não imagina como fico feliz e grata por ler estas palavras! Parece pouco, mas pode ser o único sorriso para pessoas que vivem apavoradas e que tanto precisam de apoio. Obrigada, muito obrigada!

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