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Futuro
Ou "como esconder mil e um significados numa só palavra". 
Todos eles com tanto de potencialmente fantástico como de intimidante.


Dias há em que tudo parece claro e transparente, como se tivéssemos algum tipo de poder que nos permitisse ver o caminho à nossa frente para além dos passos do nosso dia-a-dia. Outros há em que a luz parece tremer e cada passo que damos é um risco, um tiro no escuro. O que é certo é que raramente sabemos perfeitamente onde vamos parar.

Pensamos muito no futuro, fomos criados assim. Pensamos muito no dia em que finalmente vamos ter tudo o que precisamos para ser felizes. No dia em que o clique vai acontecer e vamos ter finalmente aquele pequeno vazio preenchido por sabe-se lá o quê...e entretanto deixamos o presente fugir-nos por entre os dedos. Deixamos o tempo passar entre teclados e ecrãs, entre afazeres, e-mails e sms, e subestimamos os serões passados no sofá em boa companhia, passamos de leve pelos cafés com os amigos, ignoramos aquela turra que o nosso animal nos dá ao pedir mimo. Esquecemos os pormenores que estão mesmo à nossa frente e que têm tudo para nos deixar felizes enquanto caminhamos para o ponto seguinte - já dizia o outro, parar é morrer, e com isso eu concordoÉ bom sonhar, é bom ter objectivos, é bom ter uma meta. Mas importa apreciar o caminho. E quando chegamos à encruzilhada, percebi recentemente que a dúvida de qual o caminho a seguir pode surgir por nos fazer questionar se de facto aproveitamos bem o caminho até lá e se queremos mesmo mudar de rota. Porque a rota passa a ser desconhecida, e o desconhecido assusta - mesmo quando antes de lá chegarmos pensávamos que tínhamos todas as certezas do mundo.

Hoje passo a barreira do quarto de século. 26 anos já são tempo suficiente para olhar para trás e ver algum caminho percorrido, algumas metas atravessadas, e perceber o que quero para o meu. O meu futuro. Há passos que damos sem ter a certeza se são os correctos, e normalmente esses são os que vão vencer uma distância maior e, por isso mesmo, são assustadores. Eu dei um desses. Gelou-me os ossos de medo, para dizer a verdade. Desfez todas as certezas que tinha e transformou-as numa mistura estranha de ansiedade com medo, esperança, confiança e aventura. Mistura invulgar a que estranhei muito o sabor - eu, que meço cada passinho que dou, que me gabo de ser dona do meu nariz e de saber o que quero, dei por mim a ter que decidir sem muletas, sem segundas opiniões, sem muito tempo para pensar, e a tremer como varas verdes.

O que concluir sobre isto tudo? Ainda nem eu sei. O que sei é que a incógnita é a magia da vida. As reviravoltas, a ansiedade fininha que se traduz em adrenalina, o orgulho de lutar e chegar onde queremos quando não sabíamos se ia dar certo, o conforto de saber que temos um colo onde nos abrigar nas noites de tempestade e a certeza de que não podemos baixar os braços quando as coisas correrem menos bem.


O futuro tem sempre todo o potencial que quisermos. Ainda não chegou, e nunca saberemos como será até lá estarmos. O que podemos fazer é dar o que temos e o que não temos para que seja o melhor possível - e eu prefiro arrepender-me de ter corrido mal, do que de não ter tentado.
E portanto, ganho asas e saio do ninho!

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Este post é uma participação no projecto ACMA - Sobre o projeto A Cultura Mora Aqui: Criado pela Ju, do blog Cor Sem Fim, o projeto A Cultura Mora Aqui - ou ACMA, para abreviar - tenciona trazer a cultura de volta à internet com temas bimestrais. Para participarem, só têm de enviar um e-mail com os vossos dados para acma.cultura@gmail.com - aproveito para repetir que não vamos falar sobre outfits, maquilhagem, moda, etc, e que qualquer um de vós pode participar, não sendo obrigatório fazê-lo todos os meses. Para não perderem nenhum post, já podem seguir a página do ACMA no facebook e/ou ler a nossa revista digital


4 comentários :

  1. Mais uma vez parabéns Jiji.:D

    No ano passado a vida trocou-me as voltas e os planos que tinha sairam um bocado furados. A verdade é que no meio de tudo isso dei por mim a aprender a parar, a aprender a apreciar o caminho e a caminhar mesmo sem conhecer a estrada. Eu adoro ter objectivos mas como disse, no último ano a vida ajudou-me a perceber que não basta andar, há que ir aproveitando tudo o que há de bom no caminho.
    Adorei este teu texto claro!

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  2. Este texto está fantástico e capta realmente a atenção das pessoas para aquilo que queres transmitir. A verdade é que não importa os planos que façamos, nunca sabemos o que o destino nos espera até lá chegarmos, tal como disseste. Mas também, qual seria a graça se soubessemos tudo sobre o nosso futuro?

    Beijinhos, Patrícia
    Primavera Estacional

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