Devaneios no meio do pó

E este pó todo?!

[Figurativo e real, também]

*Bufa com força*


Ora viva! Como estamos? Essa vida, como vai?




Por aqui, tudo bem. Muita coisa mudou - depois conto em detalhe, se ainda estiver alguém desse lado! - mas no que diz respeito a estar viva e de boa saúde, está tudo bem. Com a família também, obrigada. 


Planeava passar por cá há uns tempos mas faltava-me "motivo"... sei lá. Já não sei se este espaço é meu ou nosso, e por isso não sei se tenho algo de útil a acrescentar. Sinto que sim, talvez, mas talvez não, então fico a pensar se é relevante. Estou a falar para mim, para as paredes, ou para alguém desse lado? A bem dizer, e se quero que o que cá vem parar seja honesto, isso pouco importa. Mas agradeço cada pedacinho da tua atenção, car@ leitor ou leitora que provavelmente pensava que este era só mais um blog morto. Esteve moribundo, sim. Veremos.


Acabei de reler este post e fiquei sem saber se ria ou se chore. Sabe nada, inocente. Doze dias depois já eu andava a fazer considerações sobre a vida, e mais de meio ano depois, cá continuamos sem saber o que fazer. 'Tá giro. 2020 está a trazer-me um misto de ânimo pelo futuro e um medo horrível do que aí vem (e fosse o cobirus o maior dos nossos males...). A minha estratégia é meter a cabeça ligeiramente enterrada na areia, mas não totalmente: mantenho-me informada e logo a seguir tento arranjar qualquer coisa para me distrair, para não ter tempo de ter uma crise existencialista. Até agora, tem funcionado! Olhemos para as coisas bonitas da vida, portanto. 


A verdade é que me queixo com a barriga cheia. Eu e os que me importam estão com saúde, casa, trabalho, segurança e, acima de tudo, muito amor. As grandes mudanças deste ano foram para melhor a nível pessoal e familiar, e ninguém está com a corda no pescoço naquilo que mais importa. 


Será isto um regresso à escrita aqui no estaminé? SIM! 

Será duradouro? SIM!

Que conteúdos vêm aí? NÃO SEI! 


Vá, a vida até me está a dar do que falar, senão, vejamos: compramos uma casa; tenho muita renovação e decoração para fazer; tornei-me numa plant lady; o mundo está cheio de gente de lixo que me faz querer fazer rants; o mundo tem muita coisa bonita que me faz querer que toda a gente saiba que essas coisas existem; continuo a gostar de coisas bonitas e de moda e tudo isso, mas sem sair de casa só mesmo com esforço é que a coisa importa; estou a tentar ser uma pessoa sustentável e sinto que de cada vez que falo sobre isso aqui aprendo algo novo; tenho uma loja de roupa em segunda mão - shameless plug à @jirasegundamao lá no Instagram -; tenho muitas - MUITAS - fotografias para vos mostrar, e sinto que já me levo um pouco mais a sério nestas andanças - espreitem aqui; ...


Temas não faltam, e a costumária mania de que sei escrever também não, portanto, vamos a isso. Aceitam-se discos pedidos! 

Querem que fale da compra de casa? Querem que fale dos planos de decoração? Querem que fale da crise existencial de não saber se quero ter filhos num mundo com Trump e aquecimento global? Querem que recorde viagens que parecem ter acontecido há 10 anos? 

Tenho saudades de vos ler lá em baixo!


Um beijo e obrigada por estarem aí!

Jiji à Suisse: Nunca as paisagens foram tão belas

É certo que já lá vai um ano e meio desde que estivemos na Suiça. Ao mesmo tempo, parece que foi há tão pouco tempo e há uma vida inteira. I digress. O que quero dizer é que foi provavelmente das viagens mais bonitas que fiz até hoje e, uma vez que fomos sem grandes planos porque tínhamos família lá e, assim sendo, teríamos "guia", isso contribuiu para que cada descoberta fosse uma surpresa maior do que a anterior.

Dent de Jaman





Adoro a natureza, mas normalmente sou mais de pessoas, de cidades. Consigo ficar horas a caminhar no meio do nada, mas por norma não penso muito, deixo-me apenas aproveitar a tranquilidade, nem deixo o meu fôlego desaparecer com facilidade graças ao que vejo. Pois bem, a Suíça fez-me contrariar todos os meus instintos. Cada passeio de carro obrigava-me a estar colada à janela a absorver cada detalhe, cada caminhada demorava o dobro do tempo porque eu estava sempre a parar num misto de vontade de absorver tudo e de guardar o que via nas fotografias - que, aviso já, não fazem jus à beleza real que estava perante os nossos olhos.




Lomo

Podia dizer-vos que estas fotografias vêm na sequência do meu post sobre o Wabi-Sabi, mas estaria a mentir. Não, não são imperfeitas de propósito. São imperfeitas porque eu acrescentei a minha falta de experiência à estética já de si imperfeita da Diana F+.

Em todo o caso, não posso negar que gostei imenso dos resultados - sim, eu sei, imagens aleatórias e desfocadas e tudo isso. Sobrexposições, movimento, falta de foco, uma vinheta daquelas: tecnicamente estão uma desgraça. Esta máquina é uma aventura! Mas a verdade é que gosto imenso das imagens. Tenho que aproveitar este tempo de "clausura" para ir buscá-la ao fundo da gaveta.



Não sei quantos dias depois

O abraço da minha Mãe. O riso do meu Pai. 
A Chica às minhas cavalitas. O sorriso doce da Mariana. As private jokes com o meu irmão. 
A viagem que tínhamos marcado para Berlim. 
O caminho diário para o trabalho. Os ensaios de sexta-feira à noite. A ida ao mercado e à feira ao Sábado de manhã. Os passeios de Sábado à tarde. O cinema ao Domingo. A piscina ao final da tarde.

Nem sei se tenho saudades ou se é tudo tão inacreditável que estou "parada no tempo".

Parece que estamos a a viver num episódio qualquer meio esquisito de Black Mirror. É tudo surreal, estranho. As imagens de ruas vazias - e eu, como nem saio de casa, nem as vou ver ao vivo -; o trabalhar sem sair daqui; a sensação de desconfiança e, ao mesmo tempo, de companheirismo nas raras visitas ao supermercado. Valha-nos a tecnologia. Valha-nos a capacidade que criamos de comunicar, entreter, informar, ou estaríamos a ficar todos doidos - não duvido disso nem por um segundo.

Faço o esforço consciente de seleccionar a informação que consumo. Estou farta de mensagens, áudios e vídeos no Whatsapp e no Facebook a ser augúrio da desgraça e a procurar que entremos em pânico e a virar o país x contra o y. Estou farta de irritações e críticas desprovidas de argumentos, numa situação em que era absolutamente impossível alguém estar preparado, e em que é ainda mais impensável achar que alguma solução é perfeita. Estou farta de ver números, mitos e queixas atiradas ao ar por quem provavelmente não cumpre sequer o que é pedido - e que, a bem dizer, é tão pouco. É só não atrapalhar. Agradeço e admiro mais a cada dia que passa quem mantém o mundo a funcionar.

AURORA, ou a peça sobre todos nós


Poderia tentar descrever a sensação de representar numa peça em que contamos a história de pessoas sem nome, pessoas que procuram fugir de terrores inimagináveis ou de uma miséria que não imaginamos possível. Hoje ou há 60 anos. Poderia dizer-vos que tentamos sentir na pele o abandono do mar, o vento e a luz que não sabemos se é vida ou morte.

Mas não vou tentar fazê-lo, porque sei que em nada se compara às sensações vividas por aqueles que realmente vivem as histórias que contamos. Seria injusto tentar pôr-me no lugar deles e delas, enquanto escrevo sentada confortavelmente, na minha casa, no meu país de paz, na minha segurança, e me lamento dos meus problemas diários que na verdade não são mais do que inconveniências.




Vemos relatos de crueldade inexplicável com quem foge da guerra e do terror ou da miséria nas suas casas. Vemos e ouvimos disparates xenófobos, alarmistas e desumanos de quem não consegue olhar para trás e ver a história do seu próprio povo, ou olhar para o lado e pôr-se no lugar do outro. Ouvimos as histórias dos nossos pais, avós, tios, que nos contam de quando fugiram da miséria ou da ditadura, a salto, até França.

AURORA é história destas pessoas sem nome, de lutas sem fim à vista, do mar que nos entrega a qualquer lado. De quem luta por uma vida qualquer, enquanto os outros "dançam até à exaustão".